sexta-feira, 26 de maio de 2017

Dia 10 - TEC 4

As perdas continuam iguais a ontem, não sinto dores nem pontadas ou algo que se assemelhe. Não há tensão mamária nem aumento do volume abdominal.

Cada TEC teve a sua especificidade o que adensa o mistério do resultado. Aquilo que me parece é que o meu corpo vai criando habituação às hormonas, pois os efeitos secundários vão sendo cada vez mais tardios.

Se nestas últimas 24 horas tive momentos em que senti que também perdi estes mini-nós, noutras alturas tento agarrar-me a uma esperança pueril que estas perdas inesperadas podem ser sinónimo de força e vitalidade dos meus pequenos. Se isto não tivesse acontecido tenho a certeza que continuava tranquila, como desejava neste período. Fiquei com as voltas trocadas e a angústia está a apoderar-se dos meus pensamentos.

Dei por mim a ponderar comprar um teste de gravidez mas o efeito do resultado podia ser pior para o meu equilíbrio. Vou manter-me na espera até dia 1 de junho...

Dia 9 - TEC 4

No final da manhã senti algo semelhante a dores menstruais e a má surpresa veio à tarde, quando vi no pensinho um ténue corrimento colorido. Agora à noite a perda de sangue intensificou ligeiramente ficando vestígios do mesmo ao colocar o Projeffik. O endométrio deve estar aflitinho para descamar só que a progesterona anda a retardar o processo. A esperança pequenina está a esmorecer. Daqui a uma semana deverei suspender mais uma vez a medicação para dar fim a este protocolo.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dia 8 - TEC 4

Pela primeira vez nesta TEC senti algumas pontadas ali para os lados do ovário direito. Pode muito bem ser fruto da medicação, pois nas transferências negativas aconteceu algo do género.

Esta semana está a passar devagar e perspetiva-se que continue um pouco preenchida, o que até é bom. Daqui a nada já saberei se os mini-nós terão considerado o meu aconchego hostil.

Por razões de organização laboral dava jeito saber neste momento a minha disponibilidade nas próximas semanas, pois vem aí a fase da preparação para os exames nacionais de secundário. O resultado do beta definirá se estarei inteiramente disponível para os alunos ou se deverei realizar algum ajuste para garantir a melhor solução.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Dor na infertilidade

"Sentes dor?" É uma questão que surge habitualmente e tem toda a legitimidade de ser colocada, ao contrário de outras inconvenientes.

Na infertilidade podem estar presentes dois tipos de dor: física e emocional. A última é claramente a pior e aquela que é indissociável desta doença. A dor física, sobre a qual vou dedicar a minha atenção não existe sempre.

Pode experimentar-se dor ainda na fase de diagnóstico da causa de infertilidade e durante os tratamentos.

Quem sofre de uma condição chamada endometriose sente (muita) dor, bastante tempo antes de ser feito qualquer diagnóstico. Não me vou debruçar sobre esse tema, porque não tenho conhecimento de causa, há pessoas muito mais habilitadas do que eu para o fazer. Vou focar-me naquelas que me são familiares e, à semelhança de outros assuntos que abordei no blogue, não são a regra para todas as mulheres. Tenho umas condições específicas que enquadrarei na descrição para não assustar quem está curioso ou aterrou recentemente no planeta da infertilidade e aqui no meu espaço.

Após os tempos definidos para o encaminhamento em consultas de infertilidade é da praxe a realização de análises e exames complementares que vão ajudar a delinear o percurso para combater a maldita.

As colheitas de sangue poderão custar a quem tem fobia às agulhas. Pessoalmente nunca tive qualquer problema e não podia ser de outra forma, porque ao longo da vida fiz muitas dezenas de análises sanguíneas.

Para averiguar a permeabilidade das trompas solicita-se a realização de um exame de nome pomposo que tanto pode ser um filme de terror como algo complemente inofensivo. A histerossalpingografia foi, para mim, algo totalmente suportável, senti como que uma dor menstrual. Quando as trompas têm livre trânsito, geralmente não há queixas. Nalguns locais recomendam a toma de analgésico, no Hospital Pedro Hispano não houve indicação de nada.

Há quem faça ainda histeroscopia mas não posso comentar, pois nunca realizei nenhuma.

Ecografias, que vão ser o pão nosso de cada dia, à partida parecem inofensivas, contudo abordarei mais à frente uma exceção que me aconteceu.

Sobre os tratamentos, um procedimento banal é a prescrição de indutores ovulatórios orais. Não passam de uns comprimidos e exigem monitorização dos ovários durante a sua toma, pois há o risco de ocorrência de hiperestimulação. Comigo os comprimidos não funcionaram, não senti qualquer dor nesses ciclos e a quem produzem resultado, normalmente não há nada de relevante a apontar.

Agora os temíveis injetáveis... Nada de especial, mesmo. Há coisas piores na vida que umas agulhinhas que incomodam menos que uma picada de melga. Sim, houve dias em que senti qualquer coisa mas a aplicação das injeções é das etapas mais fáceis de todo o drama da infertilidade. Quem está de fora fala automaticamente das injeções e julga que isto é o grande bicho de sete cabeças. Nah! Nada disso. A complicação pode estar nos efeitos das "picas". Isso senti bem, não pelos hematomas que apareceram, mas pela intensa labuta que se gerou cá dentro. Em ambiente normal os meus ovários são pequenos vulcões extintos. O que aconteceu em fevereiro do ano passado foi o acumular de um trabalho que eles nunca fizeram na vida. Perto de 40 folículos em disputa culminaram na Síndrome de Hiperestimulação Ovárica e isso doeu, e muito. Há quem tenha hiperestimulação e pouco ou nada sinta, a maior parte das vezes as mulheres não hiperestimulam, tranquilizem-se. Anteriormente referi as exceções nas ecografias. Quando os meus ovários estavam tão ativos como uma máquina de fazer pipocas, a realização de ecografias era penosa principalmente na contagem e medição dos folículos. Posso dizer também que a sensibilidade de quem as realiza influencia. Um médico experiente fê-lo sem me incomodar praticamente nada, enquanto noutra altura uma estagiária decidiu fazer uma visita de estudo de 20 minutos, divertindo-se à brava com o cenário dantesco que tinha à frente dela. Escusado será dizer que sofri mas ela devia estar a pensar que eu era daqueles modelos anatómicos usados nas aulas.

As atividades do quotidiano eram feitas com muito custo. Qualquer movimento que exigisse (pouco) esforço do tórax para baixo tornava-se cada vez mais uma tarefa difícil.

Acerca da punção folicular. A colocação do catéter não é das melhores sensações para quem tenha veias finas como eu, mas suporta-se. A punção em si é feita sob sedação, logo dorme-se e até se sonha! O acordar para mim e respetivo recobro... ui, ui, foi muito duro! Friso novamente que se deveu à hiperestimulação. Após acordar, a maioria das mulheres está fresca que nem uma alface e pronta para outro round, não entrem em pânico. A semana após a punção não foi fácil, mas tudo ficou resolvido.

Relativamente às transferências, nada a registar. Pode haver incómodo se não acertarem na colocação do espéculo. A introdução dos embriões é totalmente indolor.

Falta apontar que há outras técnicas que estão associadas a sofrimento físico, contudo como não recorri a mais nada, não podia falar na primeira pessoa. Quem sabe alguém não se importa de partilhar aqui as suas experiências?

Se o episódio da hiperestimulação não tivesse ocorrido, podia considerar que do ponto de vista físico, tudo aquilo que fiz até ao momento não teria envolvido dor. O facto de estar a fazer esta assunção não desvaloriza a dor maior que se entranha no cérebro, coração e alma, a verdadeira dor, que aos olhos dos outros é muitas vezes considerada como inferior, sem sentido ou até ridícula.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Dia 7 - TEC 4

Continua o mistério, um vazio de sensações, penso que motivado por uma maior abstração. Ando com a cabeça mais ocupada, a opção por uma vida dentro do que é habitual ajuda a libertar um pouco da tensão típica deste período.

Falta mais de uma semana até me deslocar ao piso 3 para ter conhecimento do sim, não ou nim. Acho que estou mentalmente mais preparada para receber outro negativo do que um positivo. Se correr mal, certamente sentirei alguma raiva ao ter conhecimento mas imagino que o choque e a indignação serão menores que das primeiras vezes.

Até quando? Já estabeleceste um limite?

Em novembro de 2011 deu-se o início desta caminhada que, até agora, tem sido infinita. São 5 anos e meio da maior teimosia da minha vida.

Como referi no post anterior, nestes dois dias, algumas pessoas perguntaram-me se já estabeleci ou refleti até quando vou continuar nesta luta. Se até há uns 8 meses ainda não tinha definido muito bem, de uma coisa tenho a certeza atualmente, a minha consciência diz-me que ainda é cedo para parar.

Não sei por que motivo, há muito suspeito que os 12 mini-nós não serão suficientes para concretizar o nosso objetivo (meu e do meu marido). Se em janeiro de 2018 o hospital mantiver a palavra relativamente à possibilidade de fazer mais uma FIV, será essa a derradeira hipótese (partindo do princípio que se conseguem obter embriões). Caso haja repetição de uma multiplicidade de mini-nós, esgotá-los-ei se for preciso. Numa situação extrema de insucesso, dou por finda a guerra, baixo as armas, rendo-me às evidências e sigo a vida em paz comigo mesma.

Imagino que ao realizar outra estimulação vá hiperestimular outra vez, porque aqueles dois filhos da mãe (ovários) não têm meio termo. Estou disposta a passar por isso uma última vez.

Fazendo uma retrospetiva, este é o décimo segundo procedimento que está a ser realizado, embora não o pareça. Pela opinião da minha mãe eu já deveria ter desistido. Entristece-me vê-la reagir dessa forma, principalmente porque não tem netos e seria provavelmente a única hipótese de ser avó. Por outro lado compreendo a perspetiva dela, pois está a colocar o meu estado de saúde acima da questão da perpetuação da família. Não vamos ser inconscientes ao ponto de ignorar os riscos a médio e longo prazo que estas bombas hormonais fazem ao nosso corpo. Quanto mais tentativas forem realizadas, maiores as probabilidades de algumas coisas desagradáveis acontecerem.

Infelizmente não tenho um background familiar muito simpático no que toca a coisas chatas e complicadas, daquelas que não têm resolução possível. A minha própria história foi, desde sempre, marcada por visitas frequentes a médicos e vi no rosto da mãe todo o seu sofrimento quando eu não estava bem. Ela quer, no fundo, resguardar-me do sofrimento.

O próximo post será sobre dor.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Dia 6 - TEC 4

Mais do que sentir fisicamente algo, pois nada aconteceu, o dia foi marcado por uma paz de espírito que me invadiu. Por mais que tenha pensado não tenho nada a destacar que mereça interesse do ponto de vista da TEC propriamente dita.

O post ao qual vou dedicar a minha atenção, imediatamente a seguir a este, é fruto de uma questão que me foi colocada algumas vezes nestes dois últimos dias, por pessoas que têm conhecimento desta minha longa luta.

domingo, 21 de maio de 2017

Dia 5 - TEC 4

Nada, nothing, niente, gar nitcht, rien... À exceção da dor da gastrite que me acordou às 6h da manhã.

Zero tensão mamária, zero fisgadas, zero enjoos provocados pelo Estrofem, zero sinais de sangue. Reina a nulidade o que, a meu ver, é normal para esta altura.

Este relatório diário das quatro TEC parece muito repetitivo mas é um alerta para quem procura, a todo o custo, um sinal que indique que algo se está a passar. Como se pode ver é muito mais frequente o padrão da ausência de "evidências" do que a sua presença. Aquilo que se verifica muitas vezes em fóruns é pessoas que se encontram na espera do beta, perguntarem a quem já passou pela experiência do positivo, quais os sintomas que detetaram. Essa ânsia de indícios provoca quase um efeito de hipocondria que não é mais que induzir o cérebro a produzir uma sensação que queremos que aconteça. Esse é o maior inconveniente dos dias que sucedem uma transferência, habitualmente considerado como a pior fase de um tratamento para a infertilidade.

Na minha perspetiva a espera pelo beta não é o pior. Há vários momentos que são igualmente enervantes, porque até ao instante em que um filho é finalmente posto nos braços, com saúde, há uma infinidade de vitórias a conquistar. O objetivo máximo não é o positivo, este pode vir a valer zero.

sábado, 20 de maio de 2017

Dia 4 - TEC 4

O suposto dia de verão não foi assim tão quente no Parque da Cidade, pelo menos à sombra.

Reina a harmonia, o dia do beta ainda está longínquo, não vale a pena dedicar ainda os meus pensamentos a essa data.
Não se passa nada de atípico e, tal como referi ontem, foi como se não tivesse feito a transferência. Num cenário otimista os mini-nós estarão em fase de implantação e a libertação de beta-HCG poderá ter iniciado. É difícil acreditar nisso, mas nunca se sabe. Volto à teoria das probabilidades de 50%.

Se durante muito tempo julgava que o meu único bloqueio seria acordar os ovários e que a partir daí a tarefa estava facilitada, estes dissabores do insucesso vieram mostrar que a infertilidade não está aí para brincar.

Amanhã é um novo dia.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Dia 3 - TEC 4

A gastrite de estimação regressou, por enquanto, de forma não muito intensa. É uma malvada que me incomodou bastante durante uns anos. Deu tréguas algum tempo, no entanto de há uns meses para cá, tem-se manifestado quando ando nestes processos de TEC, devido à medicação.

Gastrite à parte está tudo sereno, como se não tivesse acontecido nada de mais há dois dias e os mini-nós continuassem no fresco do laboratório.

A minha miúda de longa bigodaça e cauda de guaxinim é o meu grande escape para a descontração. Oferece-me a sua barriga fofa onde me perco a fazer massagens.

Parece que amanhã vem uma espécie de verão, vou aproveitá-lo na medida do possível.

Dia 2 - TEC 4

Do ponto de vista anímico acho que o melhor que fiz hoje foi ter ido trabalhar. Apesar de ter havido alguns momentos em que pensei na TEC foi de uma forma muito dispersa e mais focada nas horas em que tinha de tomar a medicação.

Relativamente à problemática do Estrofem, passei parte da manhã a contactar farmácias para não andar a fazer a ronda às capelinhas e sair de mãos a abanar. Naquelas em que consegui falar com alguém, nenhuma tinha o medicamento disponível, assim como os respetivos fornecedores. Numa delas decidiram comunicar diretamente com o laboratório e uns minutos depois deram-me o feedback. Curiosamente o laboratório não tem previsão para distribuição do Estrofem.

Pergunto-me eu, é possível fazer isso sem dizer a ninguém que distribui, comercializa ou prescreve?

Milagrosamente o meu marido conseguiu uma caixinha numa farmácia que não tinha atendido a minha chamada.

Amanhã vou informar o hospital desta situação para que não o prescrevam a outras pacientes. Evita-se o aumento dos níveis de stress pelo desespero de não se encontrar a medicação toda. Lembro-me do sufoco que senti no ano passado quando precisei começar uma injeção exatamente no dia em que me foi receitada e não havia a dosagem pretendida em lado nenhum. Não sabiam de nada no hospital e, aparentemente, já há alguns dias que não estava disponível.

Espero que os mini-nós estejam ativos e se sintam confortáveis na minha mansão luxuosa.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

TEC 4

Precisamente um ano depois da primeira TEC realizei a quarta transferência dos mini-nós 7 e 8 que, segundo a embriologista, são muito bons. Foram descongelados ontem e evoluíram lindamente.

Vi com grande nitidez o endométrio muito espesso e o pontinho brilhante que indicava que os meus belos embriões tinham entrado nas catacumbas.

Já todas as médicas do serviço me efetuaram transferências. Noto na equipa o início de alguma preocupação nas falhas de implantação e hoje em off, recebi a sugestão de substituir o Acfol ou Folicil pelo Natalben pois, além de conter esta substância tem também vitamina D e outros componentes. Estudos recentes apontaram que a vitamina D auxilia a implantação dos embriões.

A espera para o próximo beta vai ser looonga... No dia da criança, ou seja, 1 de junho saberei o resultado.

Tenho um alerta a fazer às meninas que andam a usar o Estrofem. Não sei que raio se passa, mas desde a semana passada que aquilo parece ser a última Coca-cola do deserto, porque está esgotado nas farmácias e os fornecedores não têm stock. Na semana passada consegui uma última embalagem depois de ter ido a alguns locais e hoje continua a secura. Tenho o suficiente até sábado, mas caso não arranje até esta sexta-feira terei de contactar o hospital para arranjar uma alternativa. Está mais difícil de encontrar do que as injeções, não esperava.

Não estou em modo menino Jesus (deitada ou estendida), vou limitar o levantamento de coisas pesadas principalmente durante os primeiros três dias, mas amanhã estarei no ativo.

Sou uma felizarda por todos os descongelamentos terem corrido bem até agora, pelo endométrio não ter pregado partidas e ser rápido a ficar no ponto. Se não for pedir muito, gostava de dar um passo à frente para outro patamar mais agradável. Em 12 meses foram 8 mini-nós que alberguei e isto já é significativo.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Reina a beleza novamente!

O meu endométrio tem-me habituado a mostrar toda a sua exuberância que, até ao momento, tem sido inútil... Está bonito, novamente, por isso a TEC 4 ficou agendada para o dia 17 de maio, exatamente um ano depois da primeira. Sinceramente a avaliação do estado de beleza dele já não me importa, o lado positivo disto é que até agora nunca foi preciso cancelar nenhuma transferência por problemas na evolução do endométrio.

Mentalizei-me que vou repousar apenas no dia da TEC, mesmo que recomendem mais tempo. Irei trabalhar logo no dia a seguir e tentar fazer a vida o mais normal possível sem physalis, gelatinas e outros extras que nesta altura mais parecem roçar charlatanismo.

A diligência nos processos anteriores em nada resultou. Não vou dizer que estou numa fase I don´t care, mas quatro transferências num espaço de um ano satura a sanidade mental, especialmente tendo o passado corrido mal.

Há uma micro-esperança num fundinho bem recatado. Será um azar muito grande se, em 12 mini-nós, nenhum tiver um destino diferente daquele a que me tenho vindo a acostumar, contudo é uma hipótese que não posso colocar de parte.

Uma coisa já sei, não serei mãe com 37 anos.

O Estrofem passa a ser de 3 comprimidos diários e sábado à noite inicio o Projeffik.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Nova temporada - TEC 4

Assim como numa série televisiva regresso à rotina. Não há muitas alterações no script, daqui a uns episódios vão integrar no elenco as personagens mini-nós 7 e 8.

Andei foragida dos teclados durante este interregno para me dedicar um pouco a... mim. Precisava desta licença, porque durante demasiado tempo deixei de lado o meu equilíbrio. Se em janeiro andava cheia de ideias, planos, suposições, dúvidas, decidi deixar tudo isso de parte e focar-me em me, myself and I. Tive de o fazer...

Estou grata por todo o feedback que recebi entretanto, lamento não ter respondido a ninguém. Nos próximos dias vou inteirar-me das novidades das mulheres maravilhosas que também fazem parte deste mundo estranho.

Agora vamos aos factos. Contactei o hospital para saber se tinha luz verde para recorrer ao meu velho amigo Provera. Após aprovação veio o primeiro dia de sangue vivo, liguei novamente para o piso 3 e assim agendei ecografia para o terceiro dia do "ciclo". A suposta data seria amanhã, contudo esta manhã fui brindada com uma chamada para perguntar se podia ser ainda hoje, porque amanhã vai reinar o caos na Medicina de Reprodução. O meu coração sorriu com a proposta e lá fui, feliz da vida, para o hospital. Finalmente ia esclarecer algumas dúvidas e dar início a esta nova temporada.

Quem fez a ecografia foi a diretora do serviço e a dita "reunião de equipa" referida no telefonema do famigerado dia 30 de janeiro deve ter sido a microconversa de aproximadamente 10 segundos, que aconteceu entre essa mesma médica e outra que entretanto foi à sala de ecografia. Eu estava de um lado do biombo a vestir-me e elas do outro lado, a trocar impressões.

Na consulta fui logo informada que poderia iniciar hoje os 2 comprimidos diários de Estrofem e o ácido fólico. Lembrei que há mais de um ano que não fazia controlo da TSH e T4, ela confirmou no computador e acabou por pedir novamente as análises às imunidades (toxoplasmose, ISTs). Enquanto a médica preenchia a nova folha para acrescentar ao processo verifiquei que ela estava a escrever que esta seria a terceira TEC. Corrigi-a e quando ela viu as folhas que estavam para trás, verificou que havia umas quantas erradas, porque alguém colocou que tinha feito uma transferência na FIV. Tal não aconteceu porque hiperestimulei, nunca fiz uma transferência a fresco. Quando caiu na realidade que esta é a quarta TEC foi ver se já tinha feito despiste às trombofilias. Disse então que, apenas de forma empírica e porque não faz mal nenhum, desta vez vou acrescentar o ácido acetilsalicílico, ou seja, Cartia. Comecei também hoje e daqui a pouco mais de uma semana, o meu organismo vai estar a receber 9 comprimidos diariamente.

Fiz há tempos uma estimativa da quantidade de comprimidos que tomo desde a preparação de uma TEC até ao dia do beta e são mais de 200. Entrando também o Cartia na fórmula, em pouco mais de 30 dias, é só fazer as contas... Se o resultado do beta for positivo, esta medicação manter-se-á até às 12 semanas de gravidez.

Esta ligeira alteração no protocolo deixou-me mais animada, era algo que já gostava de ter tentado na transferência anterior. Não é garantia de sucesso mas diminui um pouco a sensação de impotência.

Mencionei que como soube o resultado da TEC 3 por telefone, não tive relatório da mesma. Ela ficou admirada de não terem enviado pelo correio e algures no meu processo vagueava a folha que deveria ter sido expedida. Lá estava TEC nº 2 quando deveria ser 3 e ao lado da assinatura da profissional que o fez, uma gralha na data.

Questionei o que acontecerá na eventualidade de os 6 embriões que restam terem o mesmo destino dos anteriores. Pensei que ia ter alta, pelo número elevado de TECs sem resultado e pela idade tardia, mas afinal não! Está previsto ter oportunidade de fazer outra FIV e o melhor é que pode ser logo a seguir à última TEC, porque o critério de um ano de espera que usam é relativamente à data da última estimulação. Como tive um número anormal de embriões, na altura em que farei a derradeira transferência (caso necessite) já terão passado praticamente 2 anos desde a estimulação. Aquilo que eu pensava inicialmente era que consideravam a data da transferência mais recente, ou seja, só com 39 anos faria nova FIV. Eu e o meu marido já falávamos de tentar no privado caso fosse dada alta ao terminarem os embriões ou tivéssemos de aguardar outro ano até nova FIV. Com a quantidade de mini-nós que obtivemos teria gasto uma pequena fortuna entre criopreservações e transferências. Há muitos anos, ainda antes de haver uma decisão mútua de termos filhos, consegui juntar uma parcela destinada apenas a PMA que teria esgotado com a minha dúzia se o tratamento tivesse sido realizado no privado. Estávamos a deixar essa quantia reservada para nos dar suporte, nos primeiros tempos, no caso de virmos a ser bem sucedidos no HSJ. A notícia de hoje deixou-me mais confortada, porque significa que posso adiar a ida ao privado, uma vez que será tudo seguido.

Aproveitei a consulta para perguntar como vou identificar que entrei na menopausa. Se alguém deu de caras apenas com este post e não leu o que está atrás, deve pensar que é muito óbvio. Comigo não é assim, não funciono como a maioria das mulheres. Vou ter de me basear na idade média em que as mulheres portuguesas entram na menopausa, ou seja, 50 anos e nessa altura paro de tomar Provera durante uns 3 meses. A seguir faço análise à FSH e se esta tiver um valor aumentado, voilà, eis-me no fim do prazo de validade! Daqui a 13 anos debruço-me sobre isso.

O programa das festas prevê que volto ao hospital no dia 10 (espero não ser surpreendida pela greve) e estou a apontar a TEC para a semana de 15 a 19 de maio.

Mais uma voltinha, mais uma viagem...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ideias acerca do eterno porquê

Tive o momento libertador que precisava, a dois, que deu algum alento para pensar no que me poderei focar em seguida. Ainda tenho 6 embriões, o que significa algumas hipóteses de dar outro rumo a estes finais infelizes.

Aquilo que antevejo é que chegando o mês de abril o hospital deve entrar em contacto para dar início ao ciclo de preparação da TEC 4. Eventualmente vão bater na tecla do Decapeptyl, substituir este pela pílula depois de lhes refrescar a memória sobre a minha relação com aquele injetável. Claro que vou manter a minha proposta de recorrer ao velho Provera. Enfim, imagino que vão acrescentar zero, transformando-me outra vez naquele enlatado igual a tantos outros. Peço desculpa pela abordagem mas é mais ou menos assim que tem acontecido.

Como não estou disposta a repetir fórmulas que não funcionam vou dar umas 3 a 4 semanas ao hospital para fazer a tal análise do processo, em equipa, que quero acreditar que vá efetivamente acontecer. Não havendo nenhuma comunicação da parte deles durante esse período vou eu fazê-lo para colocar as questões que queria ver esclarecidas hoje e ver a viabilidade de investigar outra coisa que me ocorreu esta tarde.

O meu corpo tem reações estranhas e exageradas em algumas situações. O sistema imunitário reage demasiado em situações simples, o que me faz pensar se os embriões não estarão a ser interpretados como um corpo estranho que deve ser expulso sem dó, nem piedade. Depois de uma breve pesquisa vi que o organismo da mulher, em condições normais de uma gravidez, "desativa um chip" que habitualmente rejeita elementos quando não os considera como sendo dele. Esta alteração imunológica permite que o embrião se desenvolva no ambiente materno, apesar de 50% do seu código genético não ser oriundo da progenitora. A pensar nesta possibilidade, nas ovodoações tenta-se garantir compatibilidade entre os genes da dadora e recetora para que as falhas de implantação ou abortos espontâneos sejam minimizados.

Quando andei a fazer despiste às trombofilias apresentei alterações nos linfócitos em número e morfologia, que foi interpretado pela hematologista como uma infeção à qual não deu importância. E se não for irrelevante? Haverá alguma relação com esta ideia da rejeição dos embriões? Realizei as análises cerca de 6 semanas após o aborto, quem sabe aquele parâmetro ainda era uma consequência que estava a ser detetada. Estarei a ter um raciocínio descabido?

Após mais algumas pesquisas vi que em Portugal não se fala muito desta temática (para variar) mas no Brasil há muitas referências. Existe um teste chamado Crossmatch que vai avaliar esta questão da incompatibilidade da mãe com o embrião. Não há consenso relativamente a este assunto, no entanto verifica-se que quando o resultado desse teste é negativo é possível criar uma vacina com os linfócitos do pai, aplicada num mínimo de 3 doses espaçadas, de maneira que o organismo da mãe produza os anticorpos necessários para combater aquela resposta indesejada. O embrião passa depois a ser aceite como algo que é totalmente compatível com a mãe. A literatura sugere que esta técnica poderá trazer alguns inconvenientes como o desenvolvimento de doenças autoimunes na recetora da vacina, nomeadamente lúpus. Poderei estar a entrar num raciocínio que nada tem a ver com a minha situação, mas é algo que desejo abordar no hospital. Se aquilo que "googlei" estiver correto, o HSJ é o único hospital público do país que realiza esta análise.

Outras ideias que também vagueiam pela minha cabeça são possíveis anomalias genéticas dos mini-nós. Não sei até que ponto estando eles criopreservados será viável realizar DGPI sem saber o que procurar ainda. O polimorfismo do PAI-1 detetado anteriormente e que foi ignorado, se calhar deve ser tomado em conta.

Para já são estes pontos que desejo esclarecer para perceber se há alguma lógica no que digo e se há abertura do hospital para ir um pouco além em relação ao que tem sido feito. Não quero que me fechem a porta daqui a um ano saindo com a sensação de que o HSJ é mais limitado do que pensava. Para isso bastou-me o Pedro Hispano, mas fui obrigada a passar por esse para aceder ao que considerava o supra-sumo público da infertilidade no norte.

Como se pode ver não fiquei satisfeita com aquele telefonema de breves segundos desta tarde. Obviamente o resultado não me deixou feliz mas, acima de tudo, a comunicação que eu esperava cara a cara com quem de direito não chegou a existir, suscitando-me mais dúvidas do que aquelas que tinha. Vou ter de resolver essa parte para traçar os próximos planos que estão ao meu alcance.

Outra questão que me surgiu foi a espera de 4 meses para nova TEC. É para dar descanso ao corpo? Aproveitar este tempo para delinearem algum plano de intervenção? Excesso de serviço no hospital? Aposto mais na última hipótese, mas poderá ser o meu mau feitio a dar de si.

Resultado do beta - TEC 3

A colheita de sangue foi feita e devido ao elevado volume de serviço que há hoje no hospital, em vez de voltar lá, soube agora por telefone.

Negativo

Numa chamada muito rápida a enfermeira disse que o resultado foi negativo, a próxima TEC será em maio e entretanto a equipa vai analisar o meu processo.

Não tive oportunidade de colocar as questões que queria esclarecer. Não sei o que vai dentro do meu peito, se desilusão, raiva, vontade de desistir, arrependimento por me ter metido nisto. Acho que não vai haver um final feliz, sou uma inútil que anda a gastar os recursos do Estado que podiam ser canalizados para casais com verdadeiro potencial. De que me serve ter obtido o fabuloso número de 12 embriões se as transferências não dão certo? O que está tão errado para ter já perdido 6 filhos?

A dita análise do processo deve ser para decidir que depois de esgotadas todas as TEC tenho alta. Já não sou nova, não me deve ser dada oportunidade para voltar à lista de espera e repetir esta saga. O fim está a chegar.

Ponho-me agora a pensar nos médicos que ao longo da vida foram dizendo que a solução era fácil e rápida. Conheciam-me tão mal...

Passa-me muitas vezes pela cabeça que os malditos ovários que só me têm causado aborrecimentos, ainda me vão brindar com mais uma surpresa desagradável do foro oncológico. Era irónico demais isso acontecer e nada impossível dado o historial de neoplasias em variadíssimas partes do corpo, do lado paterno.

Queria ficar no meu cantinho a carpir mas mal tenho forças para isso e ainda vou trabalhar no final da tarde.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Dia 13 - TEC 3

Cá estou em mais uma véspera de beta. Sinto-me extremamente tranquila, sem expectativas nenhumas, nesta maldita rotina que já se instalou. A fome desapareceu e se ontem foi um dia penoso no esófago, hoje houve bandeira branca, felizmente.

Às 8 horas lá estarei para fazer a colheita de sangue. Se for como das outras vezes, à hora do almoço, volto ao hospital para estar face to face com a diretora do serviço, que por acaso até foi quem realizou esta TEC. Cada transferência teve uma médica diferente, só falta passar por uma para rodar pelas quatro.

Se o resultado for negativo vou dedicar um pouco de tempo a mim para recuperar do acumular de medicação e tentar arrebitar um bocadinho. Num ano o meu corpo transformou-se bastante e a minha condição anímica tem vindo a diminuir gradualmente.


sábado, 28 de janeiro de 2017

Dia 12 - TEC 3

Se ontem havia uma alegria infantil a tomar conta de mim, hoje já não estou da mesma forma.

Sinto uma dor contínua no esófago e o fundo da garganta parcialmente obstruído devido ao refluxo. Acho que aquilo que tem acontecido nos últimos dias não é mais que o acumular de efeitos secundários da medicação.

Não auguro muitos motivos de felicidade na segunda-feira. Continuo assombrada com a ideia de que os 12 mini-nós não serão suficientes. Supondo que esteja correta vou perguntar à médica se findas as 6 TEC com insucesso regresso à lista de espera para FIV ou me dão alta por ser um caso perdido. Tenho de saber também se há um plano alternativo para a próxima transferência que passe por investigar/testar alguma coisa diferente. Não sei se a filosofia do hospital é jogar sempre com a mesma estratégia até que dê certo ou acabem as possibilidades. Se em tempos via uma luzinha no fundo do túnel agora vejo-a a sumir. Não deveria estar a pensar e escrever estas coisas mas tive sempre necessidade de traçar todos os cenários bons e maus, como forma de controlar o desespero momentâneo.

Gostava de estar otimista mas é deveras difícil.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Dia 11 - TEC 3

A palavra do dia é: FOME!

Queria tanto não me prender demasiado a isso mas é difícil quando esta sensação transcende o meu estado habitual. Acordo de madrugada com fome, acabo de fazer uma refeição e continuo esfomeada. Não como este mundo e outro porque tenho de me manter lúcida.

Mais importante que me concentrar na fome é manter os pés aparafusados à Terra sob pena de dar um tombo monumental na segunda-feira. Segundo a minha lógica continua a probabilidade de 50% de isto correr bem. Aquela criaturinha que gosta de dizer que vai ser negativo continua a rondar, não a ignoro.

Acumulo mais de 5 anos de uma busca incessante, uma paciência desmedida, uma esperança vinda não sei de onde, uma teimosia que me mantém de pé, uma convicção de que tudo o que tem acontecido vai valer cada exame, injeção, comprimido, amostra de sangue, hora, suspiro, dor, má disposição, lágrima e sacrifício que dediquei durante aproximadamente 14% da minha vida.

É tempo de chegar o final feliz, porra!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Dia 10 - TEC 3

Posso estar a ser demasiado presunçosa mas acho que as notícias de segunda vão ser boas. Oxalá não esteja enganada...

De manhã, bem cedo, ainda estava na cama e senti fome. Isso só me aconteceu no pouco tempo em que estive grávida. Depois de uma refeição continuo com fome, tal como da outra vez. A diferença é que na TEC anterior só começou a acontecer depois do beta, assim como as dores provocadas pela gastrite.

Nas TEC 1 e 2 sentia pontadas na barriga, ao contrário desta vez, é aquilo que mais estou a estranhar. Não queria estar constantemente a fazer comparações mas é inevitável.

Seria maravilhoso não ficar desiludida.