terça-feira, 17 de outubro de 2017

Declaro aberta nova temporada!

A manhã não foi tão dramática como inicialmente pensei. Consegui sair do hospital às 11h45, o que é excelente em relação ao que é habitual. O endométrio está no sítio, os ovários estão sempre mascarados da mesma forma, ou seja, são dois monos que andam ali a ocupar espaço, o meu ânimo está num nível de nulidade.

Agora vem a lista do que se espera ser uma receita milagrosa, com uma percentagem relevante de empirismo.

De manhã:

- 1 comprimido de Eutirox 100 (eu e ele somos um só até ao fim dos meus dias);
- 1 comprimido de Acfol;
- 1 comprimido de Molinar (vitamina D) daqui a 15 dias tomo mais um comprimido;
- 1 comprimido de Estrofem;
- 1 comprimido de Cartia;
- 1 comprimido de Lepicortinolo (corticóide).

À noite:

- 1 comprimido de Estrofem.

Isto é só o aquecimento, na próxima semana vem mais. Paralelamente estou a tratar da primeira constipação do ano letivo. Trabalhar com alunos tem destas coisas e como sou uma pessoa muito solidária, sempre que algum jovem está constipado, uns dois dias depois comungo do mesmo estado.

Perguntei se era oportuno tomar a vacina da gripe nesta altura em que a TEC está à porta e a médica desaconselhou. Fixe, as próximas semanas prometem.

Vou tomar Molinar e Acfol em vez daqueles suplementos como o Natalben e Matervita, porque na composição têm iodo que para mim não é bom. A minha tiróide que está controlada há tantos anos podia não tolerar muito bem.

Segunda-feira regresso ao hospital para nova ecografia. Pelo meio de tudo isto vou casar durante a próxima semana. Está marcado para o horário de abertura da Conservatória para não atrapalhar muito a vida se tiver de ir ao hospital. Se não for também o dia da TEC ainda vou trabalhar de tarde até à hora de jantar. Tive de alterar a data do casamento, porque os sindicatos da função pública decidiram emitir um pré-aviso de greve no dia em que estava inicialmente agendado. Seria desagradável batermos com o nariz na porta, então não quisemos arriscar. O meu quase oficial marido vai usufruir de licença de casamento, a minha pessoa não pode. Como se pode ver, a vida está um oásis!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Quinta ronda...

Amanhã adivinha-se uma daquelas manhãs que me vai ocupar várias horas entre salas de espera no HSJ. Quando consegui contactar o piso de Medicina da Reprodução (após umas vinte tentativas realizadas num período de duas horas e meia) fui avisada que amanhã vai ser um dia complicado - como é quase sempre. Mesmo assim, a ecografia ficou marcada para as 9h30. Como é habitual seguir-se-á consulta e eventualmente conversa com a enfermeira sobre o plano terapêutico.

Vou ser honesta no que toca ao meu grau de motivação relativamente a este período. Quero despachar isto. Esta situação está a tornar-se um fardo para mim. Tanto tempo, sacrifício e desgosto estão a esmagar-me aos poucos. Não quero desistir antes de esgotar os embriões que me restam mas também não quero investir mais de mim numa nova estimulação. Como ninguém me pode garantir que a solução milagrosa estará nalgum embrião que resulte de nova FIV, colocarei um ponto final na minha caminhada quando a minha dúzia de mini-nós terminar.

Sei que esta minha decisão é contrária à busca de conforto por parte de quem me lê, contudo estes 6 anos a que somo mais uns 17 (pela minha história clínica) têm-me provocado um desgaste que só eu tenho capacidade para compreender como me afetam.

Para agilizar a TEC 5 é bom que o endométrio cresça devidamente, os embriões descongelem favoravelmente, a medicação surta os efeitos desejados, a nidação seja perfeita. Quanto ao resultado, evidentemente que seja positivo, mas sinceramente estou a borrifar-me para os valores, fiquei traumatizada com isso. O que importa é que desta vez o princípio, meio e fim sejam o que sempre sonhei.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Falta pouco

Sábado inicio o Provera para induzir o ciclo que marcará a TEC 5. Tomei o antibiótico durante 16 dias e com este surgiram efeitos secundários quase imediatos que perduram, se bem que o primeiro está quase resolvido e outro está a manifestar-se. Tive a amarga experiência de conhecer a Cândida, a Albicans, logo no segundo dia da terapêutica com o antibiótico. Houve poucas ocasiões da minha vida em que tomei este tipo de medicamento e desconhecia que um dos efeitos adversos mais frequentes era precisamente esta "amiga" manifestar-se com todo o seu esplendor. Tive de a aniquilar e findo o tratamento com aquelas bazucas do primo da penicilina deparo-me com um problema de urticária nas pernas e braços. Espero que isto passe rapidamente e me dê o sossego necessário para encarar a TEC.

Está previsto ser um ataque feroz, com uma miscelânia de químicos que vai combater muitas frentes. Pretendo voltar a dar cumprimento ao esquema de repouso da última vez que é de ficar por casa apenas no dia da transferência, sem me deitar. Digamos que esta TEC e, eventualmente a próxima, serão o tira-teimas, o vai ou racha com que me deverei despedir desta batalha.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Endonews

Como referi ontem, pretendia ir ao hospital esta manhã e assim aconteceu. O resultado da biópsia não estava no sistema, o meu processo estava na secretária da Drª S com a indicação de ver com urgência se havia novidades.

Ainda era cedo quando lá fui e a médica não tinha chegado. A uns metros de casa, no regresso, recebi uma SMS com uma receita eletrónica. Verifiquei na Plataforma de Dados da Saúde (recomendo o registo) a que dizia respeito. Ainda equacionei que tivesse sido a minha médica de família, porque enviei-lhe na semana passada uns relatórios de exames. Não foi, vi que a receita era do HSJ com a prescrição de duas embalagens de ácido clavulâmico + amoxicilina, de 12 em 12h, que associei logo a antibiótico. A primeira ideia que me ocorreu era que o relatório acusava uma endometrite, que normalmente é tratada com antibiótico durante duas semanas. Fui logo à farmácia e aguardei que me telefonassem, pois seria de esperar que me fossem dadas instruções. Eram 13h e ainda nada tinha sido dito, então telefonei eu. Parece que uma enfermeira estava incumbida de me contactar mas antecipei-me. A técnica administrativa (sempre impecável, sem qualquer ironia) foi consultar o meu processo e viu que o relatório mencionava a presença de uns "bichitos" que ela não percebeu muito o que era e o antibiótico servirá como prevenção. O relatório já estava pronto, no entanto o laboratório ainda não o tinha validado no sistema informático, logo não estava acessível às médicas.

O plano de ataque para os próximos dias é cumprir a terapêutica do antibiótico, deixar passar cerca de uma semana e voltar a tomar Provera. Quando menstruar é o costume, ligar a avisar, marcar eco para o 3º dia and so on, and so on...

Enquanto não tenho a consulta do 3º dia do próximo ciclo fico na incógnita acerca do zoo que para aqui anda a causar perturbação.
Frequentemente leio artigos acerca das maleitas relacionadas com a infertilidade e encontrei este que merece leitura http://smegineco.com.br/doc-artigos/50-Femina_v40n6_319-324.pdf

Quando fiz a histeroscopia não foi observado nada relevante, contudo a biópsia tem elevada importância. Posso ter sofrido horrores nessa parte mas só por este resultado já valeu a pena toda a dor. Isto permite-me concluir que a videohisteroscopia, por si só, pode não acrescentar nada na procura de respostas. O conselho que posso dar a este nível é não descartar a biópsia.

A TEC 5 não será este mês no entanto, tendo em conta a notícia de hoje, não me rala. Quero tratar da chacina da bicheza, não é esse tipo de população que quero a habitar o meu hotel.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Impasse TEC 5

Julgava que as coisas estavam orientadas, agora está uma incógnita.

A menstruação decidiu aparecer na segunda-feira, 5 dias depois de terminar o Provera, quando o normal é 4. Pode ser resultado das biópsias que originaram uma hemorragia prolongada que me deve ter deixado o endométrio muito fino. Liguei nesse dia para o hospital e a técnica administrativa disse que a médica que estava de serviço ia verificar se o resultado da biópsia estava pronto para ver se teria de fazer alguma coisa antes de dar início à preparação da TEC. Não se pôde agendar ecografia na sequência desse pormenor. Fiquei a aguardar chamada ainda nesse dia para receber orientações. O telefonema não aconteceu.

Ontem de manhã voltei a ligar para saber o que fazer e, pelos vistos, alguém mexeu no processo e das duas, uma: ou o resultado ainda não chegou ou a médica esqueceu-se de telefonar. A técnica administrativa informou que estava um casal no gabinete da médica e quando saísse falaria com a Dra L para ver o que se passava. Comprometeu-se a ligar-me logo de seguida. Mais uma chamada que não foi feita...

Para não ser considerada uma melga hoje decidi não dizer nada para ver se alguém tomava iniciativa. Foi o terceiro dia do ciclo, deveria ter feito ecografia e iniciado a medicação, no entanto o meu telemóvel não tocou.

Se o resultado ainda não está pronto podiam dizer-mo que eu compreendia. Deixarem-me pendurada à espera de chamada e não cumprir é muito mau.

Amanhã a chata, em vez de telefonar, vai deslocar-se ao piso 3. Tenho as minhas dúvidas que a TEC seja neste mês.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Quase em campo

Realizados os exames que tinha planeado fazer, com diagnóstico de algumas coisitas que não são relevantes para a TEC, estou a tomar Provera desde sábado. Isto significa que no próximo domingo vou menstruar, por isso dia 12 de setembro devo fazer ecografia e começar a parafernália de medicamentos aos quais se deve juntar um corticóide.

A médica de família disse que tenho baixo nível de vitamina D. Na TEC anterior isso foi compensado com o Natalben, no entanto não é o mais indicado para mim, pois contém iodo. Esse suplemento pode interferir com a minha tiróide que trabalha a meio gás se não for controlada com o Eutirox. Vou resolver isso de outra forma para não comprometer o funcionamento da dita cuja.

Agora que estou mais tranquila com os rastreios que realizei estou quase a postos para me focar na TEC número... 5...

Durante este período passado entre umas micro-férias, seguido de consultas e exames foi-me perguntado, pelo menos duas vezes, se já estive grávida e quantas vezes. O meu cérebro bloqueou durante uma fração de segundos quando isso aconteceu. A primeira ideia que me veio à cabeça foi "considero uma, duas vezes ou nenhuma?" Nem eu sei muito bem, porque no primeiro caso foi gravidez bioquímica, no segundo houve uma imagem sugestiva de saco embrionário sem grandes certezas. Respondi em ambas as ocasiões que estive grávida duas vezes e antes que fosse assumido que tinha dois filhos, tratei logo de fazer a ressalva que nos dois casos terminou mal. Uma questão aparentemente rotineira e inofensiva faz-me sentir uma incompetente. O assunto não está bem resolvido no meu cérebro e acho impossível que alguma vez venha a estar.

Que expectativas tenho em relação à(s) próxima(s) TEC(s)? Muito próximo de zero, é essa a realidade. Ainda não houve problemas com a desvitrificação, os mini-nós têm-se aguentado sempre bem nesse processo. Não é garantido que continue a ser assim, penso que estou preparada para quase tudo. De uma coisa estou cada vez mais certa, a minha capacidade de andar para a frente está a chegar ao limite.

Perguntaram-me se sinto alguma pressão social para ter filhos. Não, nem por isso. Aliás, ignoro algum tipo de insinuação. Como respondi, é uma vontade intrínseca sem qualquer interferência externa. Outra questão colocada foi se me consigo imaginar a seguir a vida sem filhos. Sim, perfeitamente, é a realidade que melhor conheço, embora de há uns anos para cá com muita frustração. Este estado anímico é, no entanto, fruto de tudo o que tem acontecido nestes quase 6 anos. Acredito que se decidir colocar um ponto final nisto vai haver um período de luto profundo a que se seguirá mais um virar de página em que poderei fazer mudanças na minha existência. No meu caso não se colocará a questão de "privar" o meu marido da oportunidade de viver a paternidade, pois ele é pai há muito tempo. O que poderá acontecer é não termos oportunidade de colocarmos no mundo os nossos filhos. Não serei mãe, aquela visão inquietante de ser velhinha e à minha volta não haver gerações que provieram da minha luta a traçarem o seu projeto de vida angustia-me. Mesmo que o meu marido não tivesse já uma filha, jamais poderia ter sentimento de culpa pela privação desse milagre. A meu ver a união de duas pessoas não tem como fim último a sucessão. Antes dos filhos estamos nós casal que, por alguma razão, decidiu que fazia sentido seguir um caminho comum. Para não criar falsas expectativas fui franca desde o início em relação ao conhecimento que tinha da minha infertilidade, seria desonesta se não o fizesse. Pouco a pouco estou a começar a fazer as pazes comigo mesma e a entrar num processo de aceitação do fracasso que aumenta na mesma proporção da diminuição da esperança.

Se em tempos acreditava que a minha cria ia chegar, infelizmente não posso dizer o mesmo agora.

Após este alongado desabafo ia-me esquecendo de referir que as biópsias feitas na histeroscopia resultaram numa hemorragia que durou 9 dias! Não pensava que fosse durar o mesmo que a menstruação.

Termino este post com aquilo que disse à enfermeira que me fez o teste de gravidez no dia da histeroscopia. A probabilidade de eu ganhar o Euromilhões é maior do que a de conseguir trazer uma criança ao mundo.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Check-up

Tenho aproveitado este período entre TECs para fazer uma revisão tipo carro, mas ao meu corpito, porque estava mais que na hora. Desde muito nova que o faço, porque o meu historial clínico e familiar obriga-me a ter esse cuidado. No ano passado não o fiz e este ano estou a deparar-me com notícias pouco animadoras. Planeava tomar o Provera já no dia 26 para dar início à preparação da TEC, contudo decidi adiar umas duas semanas para dar tempo de receber uns resultados. Espero que depois de tudo estar esclarecido possa dedicar-me à TEC, pois será bom sinal.

Confesso que estou com medo, pela primeira vez na vida, do resultado de um exame que tenho de repetir e de outros que vou fazer. A palavra de seis letras começada por C que assombra a minha família e a tem vindo a dizimar, anda a rondar. Tenho vindo a agir no sentido de, na eventualidade de ela andar aqui pelos meus lados, conseguir resolver o assunto para poder cá andar mais uns anos. Ontem uma médica disse-me "boa sorte", a propósito do exame que vou realizar novamente. Foi estranho e preocupante ouvi-lo.

Não seria maluca de me aventurar a realizar outra TEC com este tipo de problema pendente. Antes de proceder ao milagre da vida tenho de garantir que a minha está íntegra. Em vez de fazer a transferência em meados de setembro, deixo para quando souber que está tudo seguro.

É importante não descurarmos a própria saúde, assim como não esquecer que os mesmos fármacos que tomamos para levar os tratamentos a bom porto podem ter efeitos adversos no nosso organismo. Ando também a investigar se os milhares de comprimidos e injetáveis que passaram por mim deixaram sequelas.

Não está a ser uma fase muito entusiasmante...

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Histeroscopia

Outra etapa foi cumprida, falta saber os resultados. Fiz a primeira histeroscopia da minha vida e fiquei a conhecer ao vivo e a cores mais uma entranha do meu corpo. Antes de me preparar para colocar na marquesa tive de fazer um teste de urina para verificar se não estava grávida, porque a última vez que menstruei foi quando abortei. Depois de se concluir que não houve milagre fui pôr-me a postos. Do ponto de vista morfológico não há nada que comprometa uma gravidez, está tudo normal. A histeroscopia foi suportável e o facto de estarmos a visualizar as imagens funciona como elemento distrator tornando a sua realização um pouco mais facilitada. Das biópsias não posso dizer o mesmo... Foram feitas duas, uma a fresco e outra para ser conservada em formol. Sem papas na língua vou dizer que doeu muito. Não consigo descrever o que senti. Se tiver de comparar esta dor com a das colonoscopias que já fiz sem sedação, não sei como organizar o top. O meu marido assistiu a tudo. Tentei manter-me o mais quieta possível para facilitar a recolha das amostras. Estava ciente que aquela dor não se devia a quem estava a executar. A opção pelas biópsias deveu-se às falhas de implantação, sendo também corroborada pelo aspeto normal do útero.

Depois de findo o massacre fiquei durante algum tempo sentada para ver como me sentia. Quando pensava que devia estar quase em condições para me levantar comecei a ficar enjoada e tonta. A enfermeira despejou-me açúcar debaixo da língua, voltou a colocar o oxímetro no dedo e fiquei mais algum tempo sentada para ver se melhorava. Comecei a sentir dores do género das menstruais, continuava fraca. Disseram para me deitar um pouco na cama que se encontra na sala. Pensei que ia desmaiar, via as coisas turvas à minha volta enquanto as pernas tinham dificuldade em sustentar o corpo. Algum tempo após ficar na horizontal comecei a transpirar e a enfermeira deixou a cortina parcialmente aberta para receber um pouco do ar condicionado. A visão foi ficando nítida e as dores no útero intensificaram um pouco. O meu marido foi para a sala de espera, desinfetaram a área onde se faz a histeroscopia e fecharam a cortina para poder chamar outra senhora enquanto eu repousava. Quando concluíram o exame da utente que entrou já me sentia bem.

Levei o relatório para o piso 3 da Medicina de Reprodução, perguntei quando irei realizar a próxima TEC. Se não houver nada que justifique adiamento, em setembro volto ao ataque. O meu processo já estava no arquivo do próximo mês. Será mais cedo do que esperava, tenho de fazer contas para ver quando começo o Provera para menstruar. Neste momento tenho uma hemorragia semelhante à menstruação. Não sei quanto tempo vai durar, felizmente o sofrimento ficou no hospital.

Organizei há pouco o meu historial desde que estou a ser acompanhada no HSJ. Desloquei-me ao mesmo 45 vezes desde dezembro de 2014. No âmbito das consultas de infertilidade, no Pedro Hispano, devo ter ido umas 10 vezes. Se tiver em conta que quase sempre passo uma manhã inteira no hospital foram alguns, os dias da minha vida, que fiquei plantada em salas de espera com a esperança que algum dia isto possa dar certo. A realidade neste momento é que estou cada vez mais convencida que o meu futuro não passará pela maternidade. O útero morfologicamente imaculado deixa-me com a triste ideia de que os embriões devem ter anomalias genéticas. Esgotaremos os 4 que nos restam. Se não resultar, não me sinto com disposição para fazer nova estimulação. Como se diz na gíria, será "chover no molhado" e uma PGS está fora de questão.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Viver na/para/com infertilidade

No meio de toda a confusão de folhetos promocionais que recheavam a minha caixa de correio, encontrava-se o envelope cujo conteúdo me fez recordar pela milésima vez (hoje) que a infertilidade não me larga.

Dia 10 de agosto farei a histeroscopia. Ela será realizada a 3 meses de completar 6 anos desta novela que deve ser patrocinada por uma conhecida marca de pilhas. Tenho lido umas coisas acerca do que se poderá encontrar aqui no meu t0. Não tenho qualquer pista, por isso estou bastante curiosa em relação ao assunto. O resultado será um abre-olhos e uma etapa determinante nas tomadas de decisão a realizar nos próximos meses.

Ainda não há previsões de quando se irá realizar a TEC 5, mas tenho a indicação que é pouco provável que seja antes de outubro.

Fazendo uma rebobinagem ao que sucedeu nos últimos meses vejo que em abril contactei o hospital para ter luz verde para iniciar o ciclo da TEC, em maio este iniciou, vieram as monitorizações e a TEC. Em junho chegou o primeiro beta e tudo o que seguiu de mau. Em julho continuava a saga dos betas e a definição de nova estratégia. Em agosto vem a histeroscopia... Mais de um terço do ano só para esta parte. Se voltar ainda mais atrás o mês de janeiro também esteve em destaque.

Não estamos no fim do ano e a infertilidade tem sido nota dominante das minhas horas. Vivo-a, respiro-a, sinto-a, desprezo-a.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Beta 8 - fim de mais um capítulo

Ontem foi feita a derradeira colheita de sangue mas o hospital deve ter-se esquecido de me contactar, então hoje telefonei para saber se finalmente se confirmava um resultado negativo. De facto a hormona já cá não circula.

Estava a supor que não tivesse beta-hCG no sangue, porque acredite-se ou não, a minha gata é um detetor muito eficiente. Durante a fase em que a hormona apresentava valores positivos ela massajava-me a barriga e deitava-se ao longo da mesma, quando o seu hábito é deitar-se no meu peito. As massagens costuma normalmente reservá-las para o meu pescoço ou cabelo. Desde meados da semana passada deixou de dar prestar atenção à barriga.

Quinta-feira vou assinar o consentimento para a realização da histeroscopia e só então poderá ser feito o seu pedido.

A hemorragia cessou definitivamente no domingo, ou seja, durou 17 dias desde o início das perdas que anunciavam o aborto até ao fim de semana passado.

Dou por encerrada a TEC 4 e a ilusão de que o fim da tortura era possível.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Beta 7

Pensava que ia agendar a histeroscopia mas o beta ainda está em 621. Daqui a uma semana faço a oitava colheita deste filme interminável que já ultrapassa a série Rocky. Tendo em conta que a hormona pode demorar até 6 semanas a desaparecer do corpo, poderei ter de fazer mais análises. É como se fosse picar o cartão ao hospital. Quando finalmente puder ser agendada a histeroscopia ainda terei de lá ir assinar um consentimento, porque esse exame é considerado ato cirúrgico.

A hemorragia está nos restinhos, daqui a dois dias já não deve haver vestígios de nada.

Aquilo que queria neste momento era encerrar definitivamente este capítulo para o luto não perpetuar indefinidamente. Posso dizer que estou bem, mas há situações que exigem um ponto final para proporcionar mais alívio. Esta é uma delas...

Outra coisa em que tenho pensado é que, o que me traria mais alguma esperança seria que na histeroscopia fosse encontrada alguma anomalia (pólipos ou miomas não detetados nas ecografias), de fácil resolução e que tivesse sido essa a causa das falhas de implantação. Se atender à hereditariedade não é impossível (a minha mãe tinha) e eu mesma tenho desenvolvido pólipos no estômago há muitos anos. Dar-me-ia mais alento esse diagnóstico do que estar tudo bem e ficar a pensar que o problema pode estar centrado nos mini-nós. A dúvida a esse nível persistirá sempre, porque não tenho condições financeiras para embarcar em tudo o que envolve uma PGS.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Nova consulta

Uma vez que ontem fiz ecografia e o sexto beta, hoje a médica analisou as informações deixadas pelos colegas da urgência e achou que não era necessário repetir ecografia. Enquanto o beta não for negativo não poderá ser marcada a histeroscopia. Daqui a uma semana faço o sétimo e espero que seja o último beta desta jornada. Ficou a recomendação de que se tiver dores fortes ou aumento significativo da hemorragia, voltar à urgência.

Desta vez as dores menstruais estão bem presentes. De todas as menstruações que tive depois de uma TEC esta é, sem sombra de dúvidas, a mais abundante e dolorosa. Parece a primeira e única vez que menstruei espontaneamente, lá pelo ano de 1994. Este mau estar está a deixar-me mais abatida, pois faz-me pensar no motivo que o causou.

Somam-se 8 mini-nós nesta conta interminável. "Basta um" ouve-se e lê-se em todo o lado, "à terceira é de vez", "quando menos esperares, acontece". Sou adepta do "ver para crer"...

domingo, 25 de junho de 2017

Bravo guerreiro

Como tinha referido na sexta-feira passada comecei a ter perdas. Iniciaram com um tom castanho, seguido de uma pasta com textura de creme de chocolate, ontem chegaram umas leves cólicas menstruais e hoje, após o almoço, o sangue vivo com vários coágulos. As dores aumentaram de intensidade, há muito tempo que não as sentia assim. Aguentei-me na terrinha até às 18h e quando regressei fui à urgência para me certificar que a proveniência da hemorragia era do útero e não de outro sítio qualquer.

A jovem médica que me atendeu, depois de observar e sentir as entranhas que libertavam coágulos fez ecografia e encontrou uma imagem que lhe parecia um pequeno saco com um descolamento. Mediu-o, procurou batimentos cardíacos mas não estava certa do que tinha à frente. Perguntou-me se não me importava que um colega mais velho viesse dar opinião. Não me importei, obviamente, então entrou um colega que devia ser quase da mesma idade, ambos mais novos que eu certamente. Ele parecia mais seguro que a colega e disse que aquelas manchas seriam coágulos a descolar, não havia líquido que indiciasse gravidez ectópica e o mais indicado seria fazer outro beta. O médico perguntou se já tínhamos jantado pois, como o resultado da análise ainda demorava pelo menos umas 2 horas, podíamos comer alguma coisa no centro comercial junto ao hospital. Assim o fizemos e regressámos à urgência. Neste momento o beta está em 1028, ou seja, estou a abortar. Amanhã de manhã estava previsto fazer ecografia, agora deverá ser encerrar este capítulo e marcar histeroscopia. As dores menstruais são contínuas, podiam dar algumas tréguas.

Este fim de semana tinha entrado nas hipotéticas 8 semanas. O meu bravo guerreiro aguentou-me muito tempo. Foi discreto, um pedacinho de coragem que ousou desafiar as probabilidades e quase me levou a crer em coisas transcendentais. Tornou-se a mais próxima materialização de um filho.

Enquanto lidava com a perda, iam chegando grávidas de 37 e 38 semanas com contrações, que suspeitavam encontrar-se em trabalho de parto e uma mulher bastante decidida que disse querer fazer uma IVG.

A vida, a morte (involuntária ou planeada) num mesmo piso, com expectativas e receios distintos. Um dia marcante na vida de uma pessoa, a rotina de quem lá trabalha.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Consulta

Foi o dia da consulta que marquei antes de saber em que filme esta gravidez se ia tornar. Primeiro fizemos o balanço do que sucedeu nestas últimas semanas. A prioridade é descobrir se a gravidez é ectópica. Caso não o seja, que cenários poderão esperar-se, sendo que o menos provável é o desenvolvimento normal da gravidez. A diretora ainda referiu a possibilidade de ser uma gravidez natural mas expliquei-lhe o motivo de ser impossível e ela concordou comigo.

Depois de analisada a situação da gravidez disse-lhe que marquei a consulta para vermos o que poderá ser feito, partindo do princípio que não tarda muito seguir-se-á outra TEC. Perguntei se havia limitações do hospital para se estudarem as causas deste insucesso ou se teria que o fazer fora. Ela respondeu que o que se faz fora também pode ser realizado lá. A questão é que não há muito a investigar. As trombofilias estão analisadas e o Cartia já foi prescrito empiricamente por não haver uma evidência que justificasse a sua extrema necessidade.
Outra questão que coloquei foi relativa à hipótese do meu sistema imunitário estar a rejeitar os embriões. Algo a tentar futuramente, é adicionar um corticoide, novamente numa base empírica.
No que diz respeito ao endométrio nunca houve problemas em este atingir a morfologia ideal para receber embriões. Foi-me questionado se já fiz histeroscopia e isso ainda não aconteceu. O próximo passo depois de mudar de capítulo vai ser fazer esse exame.

Uma causa para as falhas de implantação poderia ser a qualidade dos embriões, que não se aplica ao meu caso. São sempre bons e nunca houve problemas depois de serem retirados da criopreservação. Não significa, no entanto, que não tenham uma alteração nos cromossomas. Como tanto eu como o meu marido não temos nenhuma doença genética conhecida, o que nos restaria seria a PGS (Pre-implantation Genetic Screening). Desde logo a médica disse que o HSJ, nem qualquer outro hospital público tem dotação financeira para fazer esta técnica que ronda os 10 000 euros. Consiste em fazer-se uma estimulação e aos embriões resultantes retirar algumas células que serão posteriormente estudadas. Até aqui em nada difere de um DGPI. Em seguida recorrendo a marcadores tentam encontrar-se genes para as doenças mais comuns. É então feita a seleção dos embriões com mais hipóteses de sucesso. Pode dar-se a situação de haver embriões com alterações completamente compatíveis com uma vida normal. O que esse estudo não garante, como em qualquer transferência, é que vá resultar numa gravidez bem sucedida.

Um facto é que não são normais todas estas falhas, a Dra S. admitiu-o e agora eu e o meu marido vamos refletir acerca disto tudo.

Depois da consulta fui almoçar qualquer coisa à pressa. Quando cheguei ao trabalho fui à casa de banho e vi o que não queria. Estou com perdas iguais às que tive quando abortei da primeira vez. É noite de S. João com familiares do lado do meu marido, amanhã ele faz anos e domingo vou à terrinha ver a minha mãe com quem não estou desde a semana anterior à Páscoa.

Segunda-feira provavelmente já não se vai encontrar nada na ecografia.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Beta 5

À semelhança do que aconteceu nas análises anteriores o beta aumentou outra vez. Agora está em 1233, com uma evolução a uma taxa aproximada à que se tem verificado desde o beta 2. Ficou definido fazer nova ecografia na próxima segunda-feira pelas 9h, para acautelar a possibilidade de ter de ficar no hospital.

Suponho que a estratégia que elas delinearam foi dar tempo que o beta evolua até um valor que garanta um saco gestacional de boas dimensões, que não dê lugar a ambiguidades na sua localização. A questão do possível internamento ocorrerá provavelmente se se confirmar gravidez ectópica, anembrionária ou ausência de batimentos cardíacos no meu pequeno Nemo.

Mantém-se o plano de contingência a adotar em situação de dor aguda, desmaio ou hemorragia abundante.

A luta está feroz e de todas as fases que têm envolvido a TEC 4 esta é a que me está a dar mais força. Mesmo que não termine da melhor forma, dá-me mais ânimo para enfrentar novas batalhas.

terça-feira, 20 de junho de 2017

À procura de...

Ainda não há total certeza de onde pára o embrião. A imagem não foi conclusiva para gravidez ectópica e no útero apareceu algo que poderá ser sugestivo de um saco gestacional, mas sem garantias. Caso o seja mantém-se a convicção de que a gravidez não vai evoluir, pois neste estágio, se o desenvolvimento estivesse adequado já deveria haver batimentos cardíacos.

Para dissipar as dúvidas em relação à localização do embrião mantém-se a colheita de sangue a cada dois dias para aferir a evolução do beta, enquanto este continuar a aumentar. Pode também a natureza tratar da expulsão durante este período. Amanhã regresso para nova colheita e sexta-feira devo repetir ecografia.

Parece que ando a alimentar vampiros. Vou oferecer o braço direito, porque a veia do esquerdo já acusa alguma selvajaria e precisa de uns dias para recuperar.

Apesar de ser improvável que a gravidez goze de boa saúde durante o tempo regulamentar de uma gestação, estou a estabelecer uma ligação emocional ao meu mini-nós, o qual apelo carinhosamente de Nemo. Ele está a ter a bravura de ficar comigo com a sua presença muito discreta. É corajoso e resistente à sua maneira. Deixa-me orgulhosa pela força que demonstra, pois a ver pelo perecimento dos seus 7 irmãos devo oferecer condições inóspitas à manutenção de uma vida humana. Devo ser uma espécie de Vénus, não a divindade, mas o planeta com a sua atmosfera agressiva de nuvens ácidas que desafiam a integridade do que lá pousar. Mais uma vez tive um daqueles sonhos relacionados com a fertilidade/maternidade. Neste, quando foi feita a ecografia, surpreendi aquela equipa inteira com o desenvolvimento de um embrião sentenciado que, ao contrário das expectativas deu uma volta que ninguém esperava. Acordei um pouco aliviada e menos pesarosa.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Beta 4

Hoje o resultado foi 951. Amanhã faço uma ecografia de urgência, porque há uma elevada probabilidade de ser ectópica. Já se deverá encontrar alguma coisa.

Se esta evolução tivesse acontecido assim há umas duas ou três semanas era razoável. Nestas circunstâncias só um milagre justificaria um progresso adequado. Passei a barreira das 7 semanas de gestação e continuo a caminhar para o 1000.

Amanhã poderei ter uma resposta definida acerca deste mistério.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A saga continua

Colheita feita, resultado 562. Sim, aumentou. O meu coração recebeu a notícia com um ânimo um pouco inocente, a minha razão ficou desapontada. E agora? Pois, a novela vai continuar. Há embrião a desenvolver, não se sabe onde e até quando. Continuo com a mesma condição física das últimas semanas, sem indícios de abortamento ou sintomas de gravidez ectópica, à exceção da progressão lenta da hormona beta-hCG.

Perguntei se devia continuar com a medicação e a indicação é que posso suspender, porque a gravidez não vai evoluir. Segunda-feira volto a fazer colheita de sangue.

Marquei consulta com a diretora, na próxima sexta-feira vamos sincronizar estratégias.

Nas inúmeras pesquisas que tenho realizado, só para valores de beta-hCG acima de 1000 mil é que se consegue visualizar o saco gestacional, o que significa que poderei estar a desenvolver uma gravidez ectópica durante muito tempo sem dar conta. Outro facto é que as FIV têm contribuído para um aumento da ocorrência de gravidezes ectópicas.

Como suspendi a medicação poderei menstruar daqui a uns dias ou não, porque tecnicamente estou grávida. Se em tempos me queixei de um nim, esta situação nem sei como classificar. Deixei de ser humana e passei à condição de ET. Acho que sou uma criatura alienígena propensa a estranhezas.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Atualização do beta

Recebi à tarde, enquanto trabalhava, a chamada com o resultado e a realidade é que não se sabe o que se passa. O valor foi 451 e há algumas hipóteses em aberto. A hormona poderá já estar em regressão; algum embrião poderá estar a desenvolver-se lentamente algures no útero ou trompas embora não tenha sido detetado na ecografia; o que é praticamente certo é que a gravidez não vai evoluir.

Não estava preparada para este tipo de cenário, o que veio aumentar a tortura em que isto se tornou.

Sexta-feira vou fazer novo beta e a expectativa da médica é que o valor reduza para dar mais tranquilidade. Se continuar a aumentar vou ser sincera, não sei o que me espera. É-me difícil avaliar como estou, só sei que, enquanto trabalho, tento abstrair-me ao máximo de tudo o que está a acontecer e é muito difícil.

Ficou o alerta de que se desmaiar ou tiver dores intensas devo dirigir-me imediatamente às urgências de obstetrícia por poder tratar-se de uma gravidez ectópica.

Quando for fazer a próxima colheita vou ver se consigo agendar um momento para ter uma conversa sem correrias com a diretora. Irei tentar perceber os limites da atuação do hospital e propor colaborar externamente com a equipa naquilo que me for possível financeiramente.

Em relação ao recurso ao privado como alternativa a este enorme fracasso, atendendo à resposta ovárica que apresento com os injetáveis, as minhas economias ficariam longe de conseguir suportar todos os gastos com a conservação de tantos embriões, respetivas transferências e estudos para averiguar as falhas de implantação. Não tenho capacidade financeira para tanto. Acho que ficaria de consciência muito mais pesada se acabasse por desperdiçar os embriões por não ter como pagar para os criopreservar ou transferir. Não se trata de passividade, conformismo ou vitimização este bater na mesma tecla.

O hospital está claramente a proceder de acordo com normativos muito restritos e generalistas que são insuficientes para quem foge à regra. Aquilo que eu realmente gostava era que mo admitissem e é isso que vou tentar fazer ao conversar com a diretora. Posso ter dificuldade em arcar com a despesa de um tratamento completo, mas tenho uma almofada que me permite apoiar a pesquisa de causas, se o HSJ não o puder fazer. Para isso funcionarei como uma parceira deles para remarmos todos para o mesmo lado. Se, pelo contrário, vir que afinal têm liberdade para proceder de outras formas, aí digo que são mesmo irresponsáveis. Nessa situação verei a possibilidade de transferir os embriões para a clínica Prof. Alberto Barros e encerrar a minha jornada lá, se feitas as contas, tiver capacidade.

Há coisas na minha vida que gostava que tivessem sido diferentes para que esta fase não estivesse a ser tão angustiante mas nem tudo corre como queremos.

Estou exausta.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Suspeitas confirmadas

- Sente-se bem? - perguntou-me a diretora do serviço.
- Estranhamente bem - respondi.
- Gravidez não é doença!
- Sim, eu sei, mas tenho dificuldade em acreditar que possa estar tudo bem.
- Teve perdas?
- Não, não aconteceu nada de anormal.

Começou a busca mas apesar das expressões faciais das três pessoas que estavam a olhar para o ecrã manterem-se neutras, percebi pelos cochichos que algo não estava bem. A determinada altura a procura expandiu para os ovários. Mal a ecografia iniciou vi que não encontravam nada.

- Não há nada no útero nem nas trompas, vai repetir o beta. Apesar de já ser tarde, faz na mesma a colheita de sangue e a Dra A.M. telefona-lhe à tarde para falar consigo. Temos de ver o que se está a passar. Tinha razão nas suas suspeitas. - finalizou a diretora.

Fui ter com a enfermeira à sala de recobro onde duas senhoras recuperavam da punção.

- Mais do mesmo? - questionou-me a enfermeira.
- Sim.

Não estou aterrada, não consigo chorar talvez por estar mais mentalizada que o mau iria sobrepor-se ao bom. Sinto-me em baixo e com vontade de me desligar daqui do meu quotidiano. Infelizmente isso só vai acontecer em agosto. Precisava disso agora. O meu marido ficou abatido, dizia que nunca esteve tão confiante como desta vez. Vamos apostar nos 4 embriões que sobram e depois refletir sobre o futuro, caso essas transferências não resultem.

Aguardo o telefonema da tarde para dar fim a mais uma gravidez relâmpago.