sexta-feira, 2 de junho de 2017

Ainda sobre o beta e a TEC 4

Agora que a poeira assentou um bocadinho aqui para estes lados, estou com mais discernimento e disponibilidade para acrescentar umas palavras.

Em primeiro lugar, não houve nenhuma noite pré-beta em que não tivesse sonhado sobre esse dia. Enquanto nas anteriores dava por mim já gravidíssima e era a última a aperceber que me encontrava nesse estado, desta vez foi diferente. Sonhei com um número concreto, 110. Falhei por pouco no valor. Ainda bem que foi quatro unidades superior e não inferior, mas andei lá muito próximo.

Ao falar com a médica, que foi a primeira que conheci naquele serviço e quem me realizou a transferência, ela parecia mais descansada pelo resultado do que eu.

Não explodi de alegria, porque ao longo dos anos fiquei formatada para receber más notícias. Disse-lhe que apesar de não parecer, era aquilo que mais queria ouvir na vida, só que me faltava mudar o chip para me adaptar à novidade.

A conversa com a enfermeira com quem estive depois da boa nova deixou-me com um estado de espírito muito diferente daquele com que fiquei em setembro passado.

Recuando a película para analisar esta TEC tentei manter a vida o mais normal possível. Ignorei aqueles mitos/conselhos que podem aumentar as hipóteses de sucesso. O abacaxi que podia ter consumido continua na natureza, a gelatina deve estar noutros frigoríficos que não o meu, physalis é saboroso mas não comprei desta vez e ainda pensei em arrefecer os pés, só que o calor não colaborou. A massagem mais fértil que recebi foi-me dada pela minha gata, exatamente em cima da barriga com toda a sua sabedoria e vigor. Os únicos momentos em que estive nas palhas deitada aconteceram quando tinha de dormir. Confesso que uma ou outra vez poderei ter pegado em coisas com 6 ou 7 kg. Fui trabalhar no dia seguinte à transferência e foi o melhor que fiz.

Assim como em pratos de culinária muito populares se tenta descobrir o misterioso segredo que no fundo, muitas vezes não existe, esta transferência, no que me compete, foi mais ou menos isso.

A maior diferença foi a introdução do Cartia e do Natalben. Nunca saberei esclarecer se foram esses os condimentos que deram sabor ao beta.

Estou de pés bem assentes no chão, com a plena consciência da dicotomia besta/bestial que pode acontecer num piscar de olhos.

Enquanto na TEC 3 estava inchada, sentia fome, cheguei a equacionar uma gravidez, desta vez só estou a ser incomodada pela gastrite.

Dia 14 volto ao hospital, pode ser que veja magia no ecrã!

Agradeço todo o carinho e ânimo que me têm sido dirigidos. Espero, mais que tudo na vida, que seja desta o final feliz que procuro há 5 anos e 7 meses. Não esquecerei nunca que o bicho papão anda aí a infernizar tanta gente merecedora de dias muitos melhores. Apesar do enorme abalo que traz para a vida tem-me ajudado certamente a encarar os problemas com uma perspetiva diferente.

Somos todos mais fortes do que aquilo que imaginamos.

4 comentários:

  1. Eu sabia :)! Muitos parabéns mereces muito!
    Desejo de coração que seja uma santa gravidez!
    Parabéns!
    Beijinhos

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  2. O caminho está a fazer-se!
    Estou aqui a torcer!!
    Um beijinho enorme* foi um dia Feliz assim como serão os próximos, assim espero!
    Não sei como vais aguentar tantos dias para o próximo beta! Mas já não me surpreendes com a tua força!! ❤️

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  3. Como já disse toda a sorte do mundo que mereces. Que esse dia seja muito feliz
    Emviasde

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  4. Então como se tem sentido nestes primeiros dias de Gravidez? Espero que esteja tudo bem;)

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